COSME, DAMIÃO E OS ERÊS: O DOCE ALIMENTO DA CRIANÇA INTERIOR
" Eu fico com a pureza da respostas das crianças..."
Setembro chegou… e que ano puxado esse 2025, hein? Parece que o peso do mundo resolveu cair de uma vez só: responsabilidades que não escolhemos, decisões (por necessidades) empurradas com a barriga, instabilidade em tudo. A gente respira fundo, engole o choro (quando dá) e segue. Sempre seguindo, porque parar e descansar parece luxo, que muitos não detém. E como dizem, não se dorme na Europa, não se descansa...
Mas seguir o fluxo a todo tempo também cansa, e muito!
É como pisar em ovos: sem segurança, sem chão firme, sem promessa de leveza, e sem conseguir o basico. E nesse cenário, não dá pra negar, que a falta de capital pesa. Sem dinheiro, falta paz, falta comida, falta apoios, falta até o asé, pois hoje em dia até o espiritual virou majoritariamente um comércio.
A vida adulta, com suas exigências injustas, porque na maioria das vezes como disse o GABRIEL O PENSADOR: "Aquilo que o mundo me pede, não é o que o mundo me dá". Esse bagulho de ser subserviente, e permissivo, vai minando nossa energia. Porque a burguesia a nossa volta está sempre dizendo: " Se mexe que você consegue. Eu trabalhei o dia todo, e você? Nossa você tem de se esforçar mais e levantar e buscar, porque você quem precisa." Mas nenhuma pessoa que diz isso tem o seu fenótipo, trajetória, realidade...Ser lido como exótico, e ter noção do que representa é foda. Somos todos os dias chamados educadamente de burros, idiotas, incapazes, isso por pessoas que julgam ter admiração por nós... Infelizmente para MUITOS A NOSSA VOLTA, valemos o que temos no banco, e Gaslighting é diário família, real, oficial. Bato palmas a todos que resistem a essa porra, porque vícios e atitudes sempre prejudicam...E MUITO!
E foi pensando nisso que uma lembrança me atravessou: a infância, aquela lúdica e angelical.
Para alguns, um tempo de proteção e riso. Para outros, algo interrompido cedo demais. Mas seja como for, é nesse lugar simbólico que entram os Erês, os Ibejis, Cosme e Damião.
No candomblé, umbanda, e em toda expressão do sagrado de matriz africana, os Ibejis são a força do riso que cura, da pureza que protege. No catolicismo popular, Cosme e Damião são os gêmeos que cuidavam sem cobrar nada. E no Brasil, essa mistura virou tradição: no dia 27 de setembro, data marcada pela vossa morte como mártires. Porém segundo atualizações, a Igreja Católica mudou a comemoração para o dia 26 de setembro para não colidir com a comemoração de São Vicente de Paulo, também marcada no dia 27 do nono mês.
Seguindo, no Brasil, distribuir doces, caruru, bolo, refrigerante, doar brinquedos e partilhar com crianças é TRADIÇÃO. E convenhamos: quem nunca recebeu um saquinho de balas nesse dia? Mais do que açúcar, aquilo era recado do SAGRADO, de que a vida também pode ser doce.
E é aqui que tudo faz sentido: alimentar os Erês não é só dar doce na rua. É alimentar a criança que ainda vive dentro da gente. E também saudar os Erês, que nos protegem das adversidades adultas e demandas direcionadas por maldade, acredite ou não, ter sua criança, seu erê cuidado é sim uma proteção incrível, talvez uma das mais poderosas no Sagrado Originário.
Seu Erê, é Aquela parte que ainda sonha, que acredita, que resiste mesmo diante do peso do racismo, da homofobia, da xenofobia, da exploração. A criança interior é nosso escudo. Ela ri quando o mundo pesa. Ela lembra que a vida também é jogo, e ela adora jogar e brincar de várias formas.
Na tradição, quando pedimos que os Erês brinquem na casa de quem nos deseja mal, não é praga, é justiça. Porque a gargalhada sincera de uma criança desarma qualquer maldade. E por isso, neste setembro, meu convite é simples: reconecte-se com sua criança interior.
Pergunte a ela o que precisa. Ouça suas respostas simples e sinceras. Deixe-a correr, gargalhar, brincar, ser livre. Seja em uma prece a Cosme e Damião, seja num gesto de partilha, seja apenas sendo bondoso consigo mesmo.
Porque se 2025 anda pesado, é essa criança que ainda mora em nós que pode transformar dor em aprendizado e devolver sentido ao que chamamos de vida.
Então me diga: você ainda brinca com
sua criança interior?

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