O QUE NOS ENSINAM A ODIAR
Quando eu era criança, antes mesmo de entender o que significava a vida, já sabia o que não podia ser. Não podia chorar demais. Não podia demonstrar medo. Não podia ser delicado. Não podia gostar de determinadas brincadeiras, roupas, gestos ou formas de falar. A masculinidade me foi apresentada não como uma construção positiva, mas como uma lista de proibições. Ser homem significava, acima de tudo, não ser associado ao que a sociedade classificava como feminino. Talvez essa seja uma das bases mais perversas do machismo. Meninos não crescem aprendendo o que é maturidade, responsabilidade, cuidado ou empatia. Crescem ouvindo que precisam se afastar de tudo aquilo que foi historicamente associado às mulheres. Como se o feminino representasse fraqueza, inferioridade ou submissão. Como se a pior coisa que pudesse acontecer a um menino fosse ser comparado a uma menina. "Não chore." "Isso é coisa de mulherzinha." "Vire homem." São frases aparentemente simples, r...


