POR ONDE ANDA O ORGULHO?!
UM QUESTIONAMENTO PERTINENTE SOBRE O QUE DEVERIA UNIR MAIS GENTE
Por muitos anos me questionei sobre o porque nunca senti esse tal ORGULHO no mês de junho, e nunca me senti presente nas comemorações da “comunidade” LGBTQIAPN+ de uns anos para cá. Inúmeros fatores me fizeram chegar a este questionamento pessoal e ótica um pouco mais crítica, e digo logo que este texto não tem o viés de ataque ou reclamação de nada, mas como tudo que escrevo aqui, este mesmo e outros trazem apenas uma nova perspectiva sobre a atualidade, com baseamento no passado e SEMPRE vislumbrando um futuro menos opressor, agressivo, discriminatório, homofóbico, racista, fascista, machista, hipócrita e controlador para todos(es/as/us/XS) nós, seres humanos que criamos e buscamos, falamos e MILITAMOS tanto em prol da tal sociedade da descontrução e reconstrução social.
Como sabemos tudo isso de LUTA e todas as movimentações para um debate aberto sobre equidade e tudo mais que pudesse diminuir as mazelas, atravessamentos e brutalidade social que corpos pretos periféricos não normativos sofriam diariamente em todo mundo SE INICIOU DÉCADAS A TRÁS COM A FAMOSA revolta de STONEWELL após isso a luta por direitos LGBTQIAPN+ se tornou algo primordial para muitos, mas será que é ORGULHO A PALAVRA? E porque somente em junho temos essa visibilidade?
Gostaria muito de me sentir orgulhoso como muitos dizem, e quero ressaltar que minha existência nunca esteve na mão de ninguém, ou seja, o que sou como ser humano ou com quem me relaciono nunca será algo que deixarei outra pessoa ou movimento apagar ou me invisibilizar, pois o orgulho pessoal deve e tem de ser trabalhado diariamente e enaltecido sempre…Mas o que venho ressaltar aqui é como a mensagem chega e está sendo propagada por MUITOS e muitos ao redor do mundo, e tenho buscado compreender esse tal orgulho.
Não há como me orgulhar da "comunidade" uma vez que a mesma acaba por eliminar e exterminar em vida (silenciamento), todo corpo que não se enquadra na sua diretriz comportamental e oral hoje em dia, ainda acho que falta sensibilidade em nos enxergarmos como seres plurais e diferentes e o que nos une que é ser LGBTQIAPN+ deve ser maior que o EGO, CAPITAL, CONTATOS, dentre outros fatores. Óbvio que minha dissertação não vem com viés utópico, somos humanos e somos pessoas com sentimentos, luz e sombras, e só por isso compreendemos que nada é como se diz ser, mas sabemos que toda essa revolução ganhou o mundo através de corpos PRETOS PERIFÉRICOS, MORADORES DE RUA, NÃO NORMATIVOS E EXCLUÍDOS DE FORMA ABRUPTA SOCIALMENTE POR UMA "PSEUDO ELITE CAUCASIANA” QUE MESMO SENDO TAMBÉM NÃO NORMATIVA CONTROLAVA E EXCLUÍA QUEM JULGAVAM SER MENORES OU NÃO HUMANOS….Bem chegamos ao ponto crucial deste texto aqui: ONDE ESTÁ O ORGULHO PARA OS CORPOS MARGINALIZADOS? ONDE ELES ESTAO? Melhorando a questão digo: “Por que em pleno 2024 os corpos pretos, radicalizados, favelados, periféricos continuam a serem excluídos da tal comunidade? Onde esses corpos estão de forma não pejorativa ou de forma original, sendo eles mesmo com todas as suas diferenças? Qual espaço estamos dando como sociedade para que as pessoas possam ser livres das expectativas pessoais de cada um?!

https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/08/05/por-onde-anda-a-dupla-da-eguinha-pocoto.htm
Durante tanto tempo, sendo artista independente vivo uma realidade onde o meu corpo e arte nunca são convidados ou inseridos na sua realidade em comunidades, principalmente na comunidade LGBTQIAPN+ da cidade que habito, e por muito tempo eu tentei compreender o porquê disso, afinal sempre acreditei que ser GAY já basta para ser incluído na comunidade e ser respeitado por tal coisa, e nem estou pondo na causa o fato de ser um AGENTE CULTURAL DO FUNK, e da CULTURA DAS FAVELAS E SUA MENSAGEM NECESSÁRIA NO MUNDO. Digo que onde habito há tanta mensagem e conceito que esquecemos do principal que é a humanidade e humildade de se respeitar todo corpo que faz parte da construção social de um lugar, ainda mais corpos imigrantes, mas infelizmente a realidade e a mensagem estão separadas por um abismo EGOICO enorme que aumenta a cada dia. Porque ser gay tem que ser algo caricato ou de super exposição corporal social? Será que conhecemos e praticamos a mensagem de forma menos errônea, ao ponto de reconhecer que a tal luta veio de um povo que ainda continuar sendo excluido da sua própria história todos os dias?
Para termos orgulho no meu ponto, devemos ver os nossos em todas as profissões, em lugares de liderança, de decisões, com o direito de escolha (esse que a maioria não tem). Na maioria das vezes nossos corpos se pretos e gays só são buscados para sexo ou subserviência laboral e social, e se não estão dispostos a tal posição são silenciados e invisibilizados de forma tão cruel que lembram de perto a terrível época da escravatura. Sei que devemos nos orgulhar, mas não somente em junho, e comemorar demais neste mês no meu ver, faz com que o que se deve realizar fique em segundo plano e se torne banal numa sociedade tão diversa mas que ainda mesmo dentro da tal “comunidade”acaba se reproduzindo o discurso e atitudes do opressor.
Bem…QUE ORGULHO É ESSE? É o mesmo questionamento para A FAVELA VENCEU? Pois a cada dia fica mais difícil enxergar corpos distintos nos lugares ou contando as sua vivências e tendo o espaço necessário, e sendo originais como são na sua essência. E para terminar deixarei um breve RELEASE de um ícone que fez parte do início da luta para os direitos que culminou no tal conceito de comunidade LGBTQ…
Marsha P. Johnson (Elizabeth, 24 de agosto de 1945 — Nova Iorque, 6 de julho de 1992), foi uma ativista americana pela libertação gay. Embora alguns tenham creditado erroneamente a Johnson por iniciar os tumultos, Johnson sempre foi franca sobre não ter estado presente quando os tumultos começaram.[3] Apesar disso, Johnson foi uma das personalidades proeminentes da Rebelião de Stonewall, em 1969 e teve importante papel no desenvolvimento do Ativismo Gay moderno.
Johnson fazia parte da Gay Liberation Front e co-fundou o Street Transvestite Action Revolutionaries (STAR), ao lado da amiga Sylvia Rivera, que focava em organizar moradias para jovens gays e travestis sem-teto. Johnson também era uma figura popular na cena gay e artística de Nova York, servindo de modelo para obras de Andy Warhol. De 1987 a 1992, Johnson foi apoiadora do grupo de combate a epidemia de AIDS, ACT UP.





Comentários
Postar um comentário