INSPIRAÇÃO? COINCIDÊNCIA? CONEXÃO ARTÍSTICA?
Após alguns anos na arte (mais de 25), me pego pensando em como a mesma tem um poder imenso de conectar pessoas, mas ainda assim os meios são muito difíceis dependendo da sua origem. Como nós enquanto sociedade que NECESSITA DA ARTE para viver e muitas das vezes para SOBREVIVER podemos ser mais compreensivos com o impacto social e psicológico da mesma na atualidade?! Trago aqui nesse texto de hoje uma reflexão real do que encontro na atual sociedade em que vivo para tentar externar o sentimento de impotência diário, onde a cultura e arte periférica está cada vez mais fora do alcance dos corpos que a construíam, que dão e deram a vida para apenas serem apreciados, ouvidos, ou no minimo poder ter seu reconhecimento enquanto agentes culturais. A arte e cultura independente das favelas hoje enfrenta um avalanche de impedimentos reais, onde o esteriótipo limita a sua existência, e assistimos muitas das vezes o mainstream "copiar" ou ao menos se inspirar sem devidamente dar os créditos ou nem ter a gentileza de reconhecer que o que se tem hoje nas grandes PLATAFORMAS DE STREAM, ou nos palcos de festivais e veículos de comunicação é reflexo da existência dos corpos que na maioria das vezes nem sabem a dimensão do seu alcance, e que este tal "RECONHECIMENTO" pode ajudar a manter muitos destes corpos VIVOS...
Durante a pandemia comecei a planejar e fazer vídeos do meu projeto "FUNK É POESIA", com a necessidade de trazer uma nova opção e também um entendimento da FAVELA fora dos bailes FUNK, e obviamente este projeto veio narrar os enfrentamentos e discriminações e atravessamentos que um corpo oriundo de comunidade passa, mas não de forma pejorativa, quis e quero justamente mostrar a pluralidade e como não podemos continuar a definir pessoas por sua origem. O "FUNK É POESIA" nasceu de um grito de socorro e apelo para que as pessoas a minha volta pudessem me enxergar como ARTISTA, como um ser que traz a narrativa das favelas com uma proposta composta de muita luta, mas com leveza, felicidade, poesia, afim de ser algo para enaltecer todos os corpos que abriram caminho e que hoje descansam neste ou em outro plano, e também reconhecer a favela como um lugar não somente MARGINAL.
Após vários vídeos do mesmo, onde declamo letras autorais com instrumentais de FUNK e vídeos conceituais, trazendo toda a versatilidade de produtor, intérprete, e artista junto a necessidade de ter feito tudo isso com um telefone que não era da melhor qualidade, mas também um adendo social: A favela sempre é preterida mesmo sendo totalmente auto suficiente, capaz, esclarecida e plural. E também por trás de tudo isso, mesmo sendo produtor, compositor, editor, criador, intérprete, diretor, etc, o abismo social faz isso com a periferia, a solidão e exclusão artística social, onde se não for TUDO e fazer TUDO você não realiza nada, me compreende que isso é muito mais social que qualquer outra coisa?! E que não é somente "SE DEDICANDO" e sendo "EXCELÊNCIA" que alcançamos notoriedade, precisamos sim de apoios, investimentos e suporte tá ligado?!
INSPIRAÇÃO? COINCIDÊNCIA? CONEXÃO ARTÍSTICA?
Após anos na batalha de buscar proporcionar ao FUNK e obviamente ao seu interlocutor (artista) um lugar menos tendencioso e marginalizado, me peguei surpreso ao me deparar com um conceito que saiu da minha cabeça, solo, sem investimentos, sem equipe ou reuniões de criação sendo replicado por uma artista mainstream, digo já que neste caso não estou acusando ninguém de nada, mas apenas salientando que o realizei primeiro, afinal o meu vídeo e conceito vem de 2020, sendo concretizado em 2023, e o da artista em questão foi divulgado em 2024. Recebi de um amigo por mensagem direta na rede social o tal vídeo da artista e fui comprovar e antes de escrever este texto mostrei para algumas pessoas, e mesmo assim tenho medo da repercussão, pois nós sabemos que por si só, ser artista independente que se posiciona, ainda mais quando falamos de mainstream, a pressão vem como um tsunami querendo devastar o pequeno espaço de quem não detém o poder, ou no mínimo não tem uma vasta equipe e estrutura financeira e humana por detrás da sua arte, resumindo: a corda arrebenta para o lado mais fraco, e desde já saliento que possa ser que eu sofra represálias por me posicionar e defender o meu. Mas na minha ótica, achei sim que o meu conceito está presente na obra da artista mainstream do FUNK, e antes que digam, sim eu senti um mix de sensações, mas o principal sentimento é de insuficiência, pois como a minha mensagem mesmo sendo jogada antes não teve alcance e nem apoios ou investimento, afinal a FAVELA real (descapitalizada, batalhadora, trabalhadora, que expõe as mazelas sociais diariamente), é preterida, mesmo trazendo tanto conceito e arte...
Outro caso muito recorrente aconteceu com a Flora Matos, que expôs sua insatisfação ao se deparar com uma obra similar a sua, e como sempre o artista que não detém PODER, investimentos e tanto alcance acaba por ser o tal problema.
Outro adendo que também pode ter acontecido (busco sempre analisar demais antes de me expressar, até porque minha origem me faz agir assim, pois muitas vezes mesmo tendo coerência minha fala é atravessada por outros), é a conexão artística por serem artistas do mesmo segmento e ambos terem vindo do Rio de Janeiro e se expressarem através da cultural plural das favelas, e já terem se cruzado algumas vezes como admirador e público. Inúmeras situações nos conectam além do FUNK, desde conhecidos que trabalham, até dança, e muitas outras coisas, mas o que trago a esse debate é como a arte independente precisa de suporte para poder ecoar...
Este meu adendo vem também trazer um questionamento: Onde estão os apoios e suportes para o artista independente?! onde nós como consumidores e admiradores da arte estamos ajudando o artista a seguir na caminhada e também qual apoio nós damos ao mesmo, já que consumimos sua arte e cultura?! Quem protege o artista independente? ! Que estrutura e qual rede de apoio esse mesmo tem?! Quem além do mesmo cuida da sua saúde psicológica, financeira?!
E para encerrar trago aqui os vídeos para comentem e possam assim analisar e dar sua opinião, peço por favor que opinem, comentem, ANALISEM e deixem seu comentário de verdade sem receio, pois afinal ESTE TEXTO AQUI E TODOS OS OUTROS SÃO APENAS FRAGMENTOS DE UMA ÓTICA QUE LUTA DIARIAMENTE PARA CONTINUAR EXISTINDO.
FUNK É POESIA (2023)
O SUPORTE É DIÁRIO E URGENTE, QUAL APOIO VOCÊ DEU HOJE A UM ARTISTA INDEPENDENTE?


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