SODADE...QUAL O NOME DA SUA SAUDADE?!


artista? VHILS - O mural com 10 metros de altura retrata a diva local, Cesária Évora FERNANDO DE PINA/LUSA


Antes de trazer termos etimológicos e acadêmicos para o texto de agora, gostaria de perguntar a você, DO QUE SENTE MAIS SAUDADE? A SUA SAUDADE TEM NOME? LUGAR? CHEIRO? VOZ? Talvez esse sentimento junto com o amor traz tanto aperto ao coração e inquietude a mente que provavelmente deixamos nosso raciocínio de lado e sucumbimos as emoções que nos transportam ao lugar mais vulnerável dentro de nós mesmos...



Assim como o Rico, minha maior saudade hoje é o ALÍVIO, mas não de forma singular e sim plural. Alívio esse que engloba existir sem tanto aperto num espaço tao inseguro para os oriundos de periferias e bairros da América do Sul, pessoas sonhadoras que como eu lutam diariamente em silencio contra tanta coisa, e ouvem todo tempo tantos atravessamentos, como silenciamentos e opressões vindo de corpos que deveriam acolher, pois bem, esse artigo aqui não é vitimismo ou lamúria, mas sim um recorte da realidade, o que mais temos aqui dentro é saudade. saudade de ser livre, de existir sem complicações, sem atingir ou incomodar o outro somente por ser diferente tá ligado?

Outra saudade que aperta e sufoca é a familiar, a mãe, até o irmão, das ruas de terra, dos dias e noites no portão e dos sorrisos fartos em família em dias de festa e reuniões, e dentre todas estas a maior SAUDADE, É A HORA DA NOVELA  AO LADO DA MULHER MAIS FODA DO MUNDO, RINDO E FOFOCANDO SOBRE TUDO E TODOS E JANTANDO AO MESMO TEMPO. A SAUDADE DO CHEIRO DELA, DA VOZ, DA ACIDEZ, ATÉ DO MAU HUMOR, E DO SORRISO DA MULHER MAIS INCRÍVEL QUE CONHEÇO. 

SAUDADE aqui é algo bom também, pois ela move a arte e mensagem da favela, e faz com que eu possa continuar a difundir mesmo que de forma pequena a realidade e cultura dos lugares que passei e vivi e de pessoas que fazem, fizeram e sempre vão fazer a minha vida melhor, afinal nós tem saudade do tempo  em que éramos lembrados e enaltecidos não só nos bailes FUNK, mas fora deles é que se faz a diferença.




Saudade" descreve a mistura dos sentimentos de perda, falta, distância e amor. A palavra vem do latim "solitatem" (solidão), passando pelo galego-português "soidade", que deu origem às formas arcaicas "soidade" e "soudade", que sob influência de "saúde" e "saudar" deram origem à palavra atual.


Saudade é intraduzível? 

Por trás dessa lenda que sobreviveu ao tempo se esconde o debate, não tão antigo quanto ela mas já velho conhecido dos linguistas, sobre as intersecções entre língua e cultura. “Dizer que a palavra é própria de uma língua implica dizer que o sentimento é próprio de um povo, o que não corresponde exatamente à realidade”, diz Do Monte. Ainda assim, alguns estudiosos baseiam nisso o conceito de palavras intraduzíveis, que seria o caso de “saudade”. “Essas palavras frequentemente representam valores, prioridades e tradições particularmente associadas a uma cultura, mas não a outra”, diz à Gama Tim Lomas, pesquisador em psicologia da Universidade de Londres e criador do projeto The Positive Lexicography.

Muitos linguistas, porém, discordam e questionam tanto a relação “direta e simplista” entre língua e cultura quanto a própria noção de que existiriam palavras impossíveis de traduzir. “É difícil comunicar certos sentimentos ou ideias. Mas se conseguirmos dizer alguma coisa numa língua, haverá certamente um tradutor que conseguirá, pelo menos, explicar por outras palavras o que queríamos dizer”, afirma Marco Neves. “A não ser que estejamos convencidos de que a tradução é uma mera substituição palavra por palavra.”

Dizer que a palavra é própria de uma língua implica dizer que o sentimento é próprio de um povo


O que não parece ser o caso, já que um mesmo conceito pode ser representado em diferentes construções ou classes gramaticais a depender de cada língua, como explica Paulo Chagas, professor do Departamento de Linguística da USP. “Você colocar um sentimento ou sensação como substantivo, verbo, adjetivo são formas de apresentar. Não é que você não consegue dizer aquilo em determinada língua”, diz. Em inglês, francês e italiano, por exemplo, não há um substantivo como “saudade”, mas esse sentimento aparece em expressões verbais: “I miss you”, “tu me manques” e “mi manchi”. Outras línguas têm adjetivos ou mesmo substantivos correspondentes a nossa “saudade” que, afinal, não parece ser um sentimento tão intraduzível para outros povos e nem uma exclusividade da língua portuguesa. Eis alguns exemplos:

Galego: SAUDADE

Romeno: DOR

Tcheco: STESK

Japonês: NATSUKASHII

Espanhol: AÑORANZA

Alemão: SEHNSUCHT

Guaná ou Chané: INANGUÔRÓ

Islandês: SÖKNUDUR

Catalão: ENYORANÇA

Árabe: HANÎN

Galês: HIRAETH






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