TUDO ACABA EM FUNK
De Tropa de Elite à Jornal Nacional, a periferia, quando retratada, é quase sempre vista como um local de bandido, traficante ou pobreza. Seja nos noticiários televisivos ou jornalísticos, filmes brasileiros ou estrangeiros, boa parte da mídia mostra a favela como um reduto das mazelas da sociedade. O que não é dito pela mídia ou visto pela sociedade é que na favela há muito mais que pobreza, marginalidade e criminalidade, há também formas de cultura.
Tradicionalmente as culturas de massa seguiam um fluxo, vinham das camadas mais altas para as baixas. Seguindo o movimento inverso, o funk surgiu nos subúrbios cariocas, repleto de preconceitos, e hoje lota as casas noturnas mais caras do Brasil.
Desde seu surgimento, na década de 80, nos subúrbios do Rio de Janeiro, o funk foi considerado uma cultura proveniente das classes mais baixas da sociedade e, até então, sempre foi visto com maus olhos por grande parte da população, até mesmo pela indústria fonográfica. Com a recente ascensão da nova classe C, formada por 37 milhões de brasileiros que deixaram a pobreza para virarem consumidores, ficou evidente o estilo de vida dessa camada popular, inclusive para as classes mais altas. Herschmann (2013) afirma que
os meios de comunicação perceberam um novo mercado e abriram um espaço imenso para as manifestações culturais dessa classe emergente. Novelas, programas de variedades, atrações musicais, muita coisa agora enaltece a estética da periferia.
A partir desse momento o funk fica mais evidenciado perante a sociedade e a classe alta passa a apropriar-se do mesmo. Assim, a partir de nossas inquietações e afinidades, compreendemos que a melhor forma de retratar essa cultura é através de um documentário e, com ele, poder dar voz àqueles que raramente têm a chance de opinar.
A origem do estilo documentário surgiu entre os anos 1920 e 1930 com os irmãos Lumière na Inglaterra. Seu surgimento e derivações serão abordados de maneira mais aprofundada no capítulo de metodologia. Segundo Nichols (2005), todo documentário é um filme e nosso filme se encaixa na categoria de documentário de representação social. Esse tipo de documentário proporciona novas visões de um mundo comum, para que o exploremos e compreendamos. De acordo com a opinião e proposta do cineasta, o documentário tenta transmitir sua realidade social e permite que o espectador possa avaliar seu ponto de vista, argumentação e então, decidir se merece acreditar neles.
O que se pretende com este documentário então é mostrar, a partir da opinião de alguns estudiosos no assunto, de que forma e por que a classe média passou a se interessar tanto e consequentemente a se apropriar da cultura funk. Como se dá essa apropriação, qual a importância para o funk estar sendo apropriado por uma classe mais alta. Sendo assim, a pergunta que norteia a presente pesquisa é: Como a cultura funk é apropriada pela classe alta brasileira? E como objetivo geral, o trabalho propõe-se a compreender, através da realização de um documentário, como a classe alta se apropria dessa cultura, mesmo com tantos preconceitos ao redor dela.


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